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Trajetória

Natural de Elói Mendes, Minas Gerais, Antônio Celso Mendes nasceu em 18 de fevereiro de 1934. Coronel Veterano da Polícia Militar do Paraná, construiu uma trajetória singular, marcada pelo encontro entre a vida militar, o Direito, a Filosofia, o magistério, a literatura e a preservação da memória institucional.

Ingressou na Polícia Militar do Paraná em 1953, iniciando uma carreira que o conduziria a importantes funções de comando e assessoramento no Estado. Ao mesmo tempo, desenvolveu uma sólida formação intelectual, fazendo do conhecimento uma presença constante em sua vida profissional e, posteriormente, em sua atuação acadêmica e cultural.

Essa dupla dimensão, militar e intelectual, tornou-se uma das características mais marcantes de sua trajetória. A experiência adquirida no exercício de funções públicas passou a conviver com a investigação filosófica e jurídica, com a docência universitária e com uma extensa produção bibliográfica.

Mais tarde, essa mesma compreensão acerca da importância do conhecimento, da história e da cultura encontraria expressão institucional na criação da Academia de Letras dos Militares Estaduais do Paraná, ALMEPAR.


Carreira policial-militar

Na Polícia Militar do Paraná, Antônio Celso Mendes alcançou o posto de Coronel e exerceu funções de elevada responsabilidade institucional.

Entre elas, destaca-se a Chefia do Estado-Maior da Polícia Militar do Paraná, posição diretamente relacionada ao planejamento e à condução das atividades institucionais da Corporação.

Sua trajetória alcançou também o Governo do Estado, onde exerceu a função de Chefe da Casa Militar do Governo do Paraná, entre 15 de março de 1979 e 15 de março de 1983.

Após uma longa carreira dedicada ao serviço público e à Polícia Militar, passou para a reserva em 1984.

A passagem para a inatividade, entretanto, não representou afastamento da vida intelectual ou institucional. Ao contrário, abriu espaço para uma atuação cada vez mais intensa nos campos jurídico, filosófico, educacional, literário e acadêmico.


Formação jurídica e filosófica

A formação intelectual constitui uma das dimensões fundamentais para compreender Antônio Celso Mendes.

Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Curitiba, prosseguiu seus estudos na Universidade Federal do Paraná, UFPR, onde realizou formação acadêmica em nível de pós-graduação, tornando-se Mestre e Doutor em Direito.

Sua produção acadêmica demonstra particular interesse pela Filosofia do Direito, pela linguagem, pela hermenêutica, pelo simbolismo e pelos fundamentos da experiência jurídica.

A própria Universidade Federal do Paraná registra, entre seus trabalhos acadêmicos, o estudo Evolução da Filosofia Jurídica no Brasil, evidenciando uma trajetória intelectual que buscou compreender o Direito não apenas como conjunto normativo, mas também como fenômeno histórico, cultural e filosófico.

Essa perspectiva acompanharia posteriormente grande parte de sua produção bibliográfica.


O professor e o pensador

O conhecimento adquirido na formação acadêmica encontrou no magistério outra importante forma de expressão.

Antônio Celso Mendes exerceu a docência universitária, lecionando Filosofia do Direito e Hermenêutica Jurídica na Pontifícia Universidade Católica do Paraná, PUCPR.

A presença dessas disciplinas em sua trajetória é particularmente significativa. Filosofia e hermenêutica estão diretamente relacionadas à reflexão sobre fundamentos, linguagem, interpretação, valores e construção do conhecimento, temas que também atravessariam seus livros e escritos.

Sua atuação como professor revela, assim, uma dimensão que ultrapassa a produção individual do intelectual. O conhecimento tornou-se também matéria de ensino, diálogo e formação de outras gerações.

No conjunto de sua trajetória, o oficial, o jurista, o professor e o filósofo não aparecem como identidades isoladas. São diferentes expressões de uma mesma inquietação intelectual.


Filosofia, Direito e literatura

A produção bibliográfica de Antônio Celso Mendes revela a amplitude de seus interesses.

Sua obra percorre campos como Filosofia, Filosofia do Direito, simbolismo, poesia, espiritualidade, história e reflexão sobre as transformações da sociedade contemporânea.

Entre seus títulos encontram-se Caminhos do Espírito, Filosofia Jurídica no Brasil, Direito, Linguagem e Estrutura Simbólica, Diálogos com a Filosofia, Os Símbolos e a Realidade, Direito, Ciência, Filosofia e Política, Dimensões Conceituais do Direito, Introdução ao Universo dos Símbolos, Veredas Espirituais, História do Paraná, Momentos Marcantes e Universo Virtual.

Há nessa produção uma característica especialmente interessante: a busca por estabelecer diálogos entre diferentes formas de conhecimento.

O Direito aproxima-se da Filosofia. A Filosofia encontra a linguagem. O simbolismo torna-se objeto de reflexão. A história passa a dialogar com a memória. E o pensamento filosófico encontra também uma forma de expressão na poesia.


Filosofia em forma de poesia

Essa aproximação entre pensamento e criação literária encontra uma de suas expressões mais características na série Filosofia em Forma de Poesia.

Ao transportar reflexões filosóficas para a linguagem poética, Antônio Celso Mendes estabelece uma ponte entre dois universos que atravessam sua trajetória intelectual: a busca racional pela compreensão da realidade e a capacidade da literatura de expressar questões humanas que nem sempre se deixam apreender apenas pelo discurso conceitual.

Essa característica ajuda a compreender sua presença simultânea em instituições jurídicas, filosóficas e literárias.

Mais do que um jurista que também escreve poesia, sua trajetória revela um intelectual interessado nas diferentes possibilidades da linguagem e nas múltiplas formas pelas quais o ser humano procura interpretar a realidade.


Vida acadêmica e cultural

A atuação intelectual de Antônio Celso Mendes ultrapassou os ambientes militar e universitário e alcançou importantes instituições culturais.

É membro da Academia Paranaense de Letras, onde ocupa a Cadeira 34.

Integra também instituições dedicadas às letras, à cultura e ao pensamento, entre elas o Centro de Letras do Paraná, o Círculo de Estudos Bandeirantes e a Academia Brasileira de Ciências Morais e Políticas.

Essa presença em diferentes espaços culturais demonstra que sua produção intelectual não permaneceu circunscrita ao universo militar.

Ao contrário, sua trajetória estabeleceu uma ponte entre a Polícia Militar do Paraná e importantes ambientes de produção e circulação do pensamento paranaense.


O nascimento da ALMEPAR

Entre as realizações que melhor sintetizam sua trajetória encontra-se a criação da Academia de Letras dos Militares Estaduais do Paraná, ALMEPAR.

A instituição surgiu com a finalidade de incentivar a produção intelectual dos militares estaduais, preservar a memória histórica da Corporação e estimular trabalhos de natureza literária, científica, histórica e técnica.

Antônio Celso Mendes participou diretamente de sua implantação, assumindo a presidência da Diretoria Provisória em agosto de 2018.

Em 28 de agosto daquele ano, com a fundação e instalação definitiva da Academia, tornou-se seu primeiro Presidente, ocupando a Cadeira nº 01, que tem como patrono o Coronel PM Cândido Dulcídio Pereira.

Nascia, assim, uma instituição na qual diferentes dimensões presentes em sua própria trajetória poderiam encontrar um espaço comum: vida militar, história, memória, literatura, ciência, pesquisa e educação.


Conhecimento como instrumento de preservação da memória

A concepção de Academia defendida por Antônio Celso Mendes possui uma característica particularmente importante.

Desde a criação da ALMEPAR, destacou a necessidade de registrar os acontecimentos históricos dos quais participou a Polícia Militar do Paraná, produzir estudos e biografias de personagens relevantes da Corporação e estimular a produção intelectual dos militares estaduais.

Essa compreensão amplia o significado de uma Academia de Letras vinculada aos militares estaduais.

A literatura permanece essencial, mas passa a conviver com a historiografia, a memória institucional, a pesquisa, a produção técnica e a reflexão sobre a própria profissão.

Sob essa perspectiva, escrever significa também preservar.

Registrar significa impedir que experiências, personagens e acontecimentos relevantes desapareçam com o passar das gerações.

É nessa relação entre conhecimento e memória que a criação da ALMEPAR se aproxima profundamente da própria trajetória intelectual de seu fundador.


Uma Academia em permanente construção

Sob sua presidência, a ALMEPAR desenvolveu publicações, anuários, antologias, concursos literários, atividades acadêmicas e iniciativas voltadas à preservação da história e ao estímulo da produção intelectual.

Em 2019, a Academia inaugurou sua sede administrativa e biblioteca em Curitiba, consolidando um espaço próprio para suas atividades culturais e acadêmicas.

A produção editorial tornou-se igualmente importante. Anuários e outras publicações passaram a registrar não apenas a atividade da própria Academia, mas também textos, pesquisas e reflexões produzidos por seus integrantes.

Em 2021, ao apresentar o anuário comemorativo da ALMEPAR ao Comandante-Geral da Polícia Militar do Paraná, Antônio Celso Mendes relacionou a produção literária dos militares estaduais ao aperfeiçoamento e à formação dos integrantes da Corporação.

Essa compreensão sintetiza uma característica de seu pensamento: cultura, educação e atividade profissional não constituem universos separados.

O conhecimento também pode contribuir para o desenvolvimento institucional.


Participação no movimento acadêmico nacional

A atuação de Antônio Celso Mendes não permaneceu restrita ao Paraná.

Em 2018, integrou o grupo de militares estaduais paranaenses que participou da fundação da Academia de Letras dos Militares Estaduais do Brasil e do Distrito Federal, ALMEBRAS, passando a ocupar a Cadeira nº 14.

Sua condição de Acadêmico Fundador da ALMEBRAS insere sua trajetória no movimento de aproximação entre Academias e militares escritores, pesquisadores e intelectuais de diferentes Estados brasileiros.

Nesse ambiente, a experiência desenvolvida no Paraná passou a dialogar com iniciativas semelhantes surgidas em outras unidades da Federação, favorecendo intercâmbios acadêmicos e culturais e fortalecendo a construção de uma rede nacional dedicada à produção intelectual e à memória dos militares estaduais.

 

Reconhecimento público

A trajetória de Antônio Celso Mendes também recebeu importantes reconhecimentos públicos.

Em 2023, foi agraciado pela Prefeitura de Curitiba com a Ordem da Luz dos Pinhais, honraria máxima concedida pelo Município a personalidades reconhecidas por seus saberes e pelos relevantes serviços prestados à sociedade.

No mesmo ano, durante as comemorações do quinto aniversário da ALMEPAR, realizadas em sessão solene na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, recebeu Menção Honrosa da ALEP.

Tais distinções ultrapassam o reconhecimento de uma trajetória exclusivamente militar ou acadêmica. Elas evidenciam a projeção de sua atuação na vida cultural e institucional do Paraná.


Antônio Celso Mendes e a ALMEP

A presença de Antônio Celso Mendes entre os Membros de Honra da Academia de Letras dos Militares Estaduais da Paraíba encontra significado no próprio movimento de integração acadêmica do qual participou.

Fundador da ALMEPAR e Acadêmico Fundador da ALMEBRAS, integra uma geração de militares estaduais que compreendeu a necessidade de criar instituições capazes de preservar a memória das Corporações e, ao mesmo tempo, revelar a produção literária, científica, histórica e cultural de seus integrantes.

Sua relação com a ALMEP insere-se, portanto, em uma identidade acadêmica compartilhada.

Paraná e Paraíba, apesar da distância geográfica, aproximam-se por meio de Academias que reconhecem no conhecimento, nas letras e na memória instrumentos de valorização da história e da cultura dos militares estaduais.


Membro de Honra da ALMEP

Ao reconhecer o Coronel Antônio Celso Mendes como Membro de Honra, a Academia de Letras dos Militares Estaduais da Paraíba distingue uma trajetória na qual serviço militar, Direito, Filosofia, magistério, literatura e vida acadêmica se encontram.

Sua contribuição não se resume aos cargos que exerceu, aos títulos acadêmicos que conquistou ou aos livros que publicou.

Encontra-se também na capacidade de transformar conhecimento em legado.

Como militar, participou da história institucional da Polícia Militar do Paraná. Como jurista e filósofo, dedicou-se à investigação do Direito, da linguagem e dos fundamentos do pensamento. Como professor, compartilhou conhecimento. Como escritor, transitou entre a reflexão e a poesia. Como fundador da ALMEPAR, ajudou a construir um espaço destinado a preservar aquilo que o tempo poderia apagar.

Reconhecer Antônio Celso Mendes é reconhecer uma vida dedicada ao conhecimento e a convicção de que a memória institucional, quando estudada, escrita e preservada, transforma-se em patrimônio para as gerações futuras.

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