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Trajetória

Natural de São Luís, Maranhão, Carlos Augusto Furtado Moreira nasceu em 24 de novembro de 1961. Coronel Veterano da Polícia Militar do Maranhão, construiu uma trajetória marcada pela diversidade de experiências e pela aproximação entre a carreira militar, a educação, a segurança pública, os direitos humanos, a história, a literatura e a preservação da memória institucional.

Sua vida profissional e intelectual revela um perfil multifacetado. Militar, historiador, bacharel em Direito, pesquisador, articulista, cronista, poeta, compositor e músico, fez da experiência adquirida ao longo da carreira uma das bases para uma atuação que posteriormente ultrapassaria os limites da Corporação e alcançaria os ambientes acadêmico, científico, literário e cultural.

Essa pluralidade ajuda a compreender uma característica particularmente presente em sua trajetória: a disposição para aproximar mundos que, por vezes, são percebidos separadamente. Em sua atuação, a experiência militar dialoga com a educação, a segurança pública com os direitos humanos, a história com a memória, e a literatura com a cultura institucional.
 

Formação acadêmica e profissional

A formação de Carlos Furtado acompanha a amplitude de sua atuação.

É Licenciado em História, Bacharel em Direito e Bacharel em Formação de Oficiais. Possui especializações em Cidadania, Direitos Humanos e Gestão da Segurança Pública e em Gestão Estratégica em Defesa Social, além dos cursos profissionais de Aperfeiçoamento de Oficiais e Superior de Polícia. Registros acadêmicos também indicam estudos em Resolução de Conflitos e Mediação.

Sua formação permite compreender a presença recorrente, em sua trajetória, de temas relacionados à educação policial, à cidadania, aos direitos humanos, à segurança pública e à construção de uma cultura institucional baseada no conhecimento.

Mais do que acumular diferentes campos de formação, sua trajetória demonstra uma busca pela integração entre eles, característica que posteriormente se refletiria tanto em sua produção intelectual quanto nas instituições acadêmicas das quais passou a participar.


Carreira policial-militar e educação

A educação policial constitui um dos eixos importantes da trajetória profissional de Carlos Furtado.

Sua formação como oficial ocorreu na Academia de Polícia Militar de Minas Gerais. Décadas mais tarde, a experiência vivenciada naquele ambiente seria recordada por ele próprio ao falar sobre a realização do projeto que resultou na criação da Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares. Na solenidade de diplomação dos primeiros acadêmicos da AMCLAM, em 2018, afirmou que aquele era um sonho iniciado mais de 33 anos antes, quando realizava sua formação naquela Academia.

Ao longo da carreira na Polícia Militar do Maranhão, sua trajetória voltou a encontrar a educação militar, dessa vez na responsabilidade de participar da formação de novas gerações de policiais e oficiais.

Essa vinculação entre formação profissional, educação e cultura constitui elemento importante para compreender sua atuação posterior. O militar que um dia ingressou em uma Academia para formar-se oficial retornaria ao universo acadêmico como educador, escritor e dirigente de uma instituição destinada à produção e à preservação do conhecimento.


Direitos humanos e segurança pública

Outra dimensão relevante de sua formação e de sua atuação intelectual encontra-se na relação entre segurança pública, cidadania e direitos humanos.

Sua especialização em Cidadania, Direitos Humanos e Gestão da Segurança Pública demonstra interesse acadêmico por uma concepção de segurança que ultrapassa a dimensão operacional e alcança a formação profissional, a cidadania e a responsabilidade institucional.

Essa formação se articula com outros campos de sua experiência, como Direito, História, Defesa Social e estudos relacionados à resolução de conflitos e mediação.

Assim, sua trajetória acadêmica revela uma preocupação com a formação do profissional de segurança pública não apenas para o exercício técnico de suas atribuições, mas também para a compreensão das dimensões jurídicas, sociais e humanas inerentes à atividade policial.


O militar, o escritor e o homem de cultura

Paralelamente à carreira policial-militar, Carlos Furtado desenvolveu expressiva atividade intelectual e cultural.

Articulista, compositor, músico, cronista, pesquisador e poeta, encontrou diferentes formas de transformar experiência, observação e sensibilidade em produção cultural.

Sua relação com a música também alcançou a própria Polícia Militar do Maranhão. É autor da letra e da música da Canção do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças, CFAP, da Corporação.

Na literatura, sua produção transita entre reflexão, memória, poesia, biografia e questões ambientais.

Entre suas obras publicadas encontram-se Ponderações de um Observador Privilegiado, de 2021, Pedro Ivo de Carvalho Viana, uma História de Sucessos, em coautoria, também de 2021, Um Pouco de Mim, um Muito da Vida, Poetizando em Tempos de Pandemia e Meio Ambiente em Versos, estas últimas publicadas em 2022.

Sua produção não se limita, entretanto, à autoria individual. Carlos Furtado participou de numerosas antologias e também se dedicou à organização e à coordenação editorial de publicações, ampliando sua contribuição para a circulação da produção intelectual de outros autores.


Produção editorial e preservação da memória

A atividade editorial ocupa espaço próprio em sua trajetória.

Carlos Furtado coordenou e organizou antologias, revistas, anuários e outras publicações vinculadas tanto ao universo acadêmico quanto à formação policial. Entre elas encontram-se as antologias AMCLAM & Convidados, as revistas Anuário e O Brigadiano, da Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares, e a revista Aspirantes, da Academia de Polícia Militar Gonçalves Dias.

Há ainda um registro particularmente simbólico. Durante sua formação na Academia de Polícia Militar de Minas Gerais, participou da organização do jornal O Espadim e da revista comemorativa de sua turma de Aspirantes.

Esse percurso estabelece uma interessante continuidade em sua biografia. A preocupação com o registro, a escrita e a comunicação, presente ainda durante a formação como oficial, reapareceria décadas depois na organização de livros, revistas, antologias e instituições dedicadas à memória e à cultura militar.


Um sonho transformado em Academia

Entre as realizações que melhor sintetizam a trajetória de Carlos Augusto Furtado Moreira está a criação da Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares, AMCLAM.

A iniciativa nasceu de uma antiga aspiração de reunir militares estaduais e personalidades vinculadas à cultura, à ciência, às letras e às artes em torno de um espaço permanente de produção intelectual, intercâmbio e preservação da memória.

A Polícia Militar do Maranhão registra expressamente que a iniciativa para a criação da AMCLAM partiu do Coronel da Reserva Remunerada Carlos Augusto Furtado Moreira, que desejava constituir um sodalício cultural capaz de integrar os militares estaduais. A proposta posteriormente agregou professores, mestres, doutores, escritores, artistas e personalidades com vínculos com as instituições militares maranhenses.


Em 2018, o projeto tornou-se realidade

Na solenidade de diplomação dos primeiros integrantes, Carlos Furtado foi identificado pela própria PMMA como criador e idealizador da Academia. Naquela ocasião, associou a concretização da instituição a um sonho cultivado por mais de três décadas e reafirmou o propósito de estimular, reconhecer e valorizar a produção literária e artística relacionada aos militares estaduais. Na AMCLAM, ocupa a Cadeira nº 01 e tornou-se seu primeiro Presidente.


Ciência, letras, artes e memória militar

A concepção da AMCLAM revela muito sobre o pensamento de seu idealizador.

A instituição não foi estruturada exclusivamente como uma Academia literária. Seu campo de atuação compreende Ciências, Letras e Artes e reúne integrantes da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros Militar e personalidades da sociedade com vínculos culturais e institucionais com essas Corporações.

Entre seus objetivos encontram-se estimular a produção científica, literária e artística, incentivar os militares estaduais à produção intelectual, resgatar e ampliar a história da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão, preservar tradições e promover intercâmbio com instituições culturais brasileiras e internacionais.

Há, portanto, uma concepção de Academia que une produção de conhecimento, criação cultural e preservação da memória.

Nesse sentido, a AMCLAM pode ser compreendida como uma das expressões mais concretas da própria trajetória de Carlos Furtado. Nela encontram-se reunidos muitos dos campos que marcaram sua formação e sua vida, a experiência militar, a História, o Direito, a segurança pública, a literatura, a música, a pesquisa e a memória institucional.


Participação no movimento acadêmico nacional

A atuação de Carlos Furtado ultrapassou as fronteiras do Maranhão e passou a integrar o movimento de articulação das Academias de militares estaduais em âmbito nacional.

É Acadêmico Efetivo Perpétuo da Academia de Letras dos Militares Estaduais do Brasil e do Distrito Federal, ALMEBRAS, onde ocupa a Cadeira nº 19. A página da ALMEP registra essa vinculação acadêmica em sua apresentação institucional.

Sua participação nesse movimento contribuiu para ampliar o intercâmbio entre Academias de diferentes Estados e aproximar militares, escritores, pesquisadores e dirigentes acadêmicos em torno de objetivos comuns relacionados às letras, às ciências, à cultura e à memória das instituições militares estaduais.

Essa dimensão de sua trajetória também ajuda a explicar a proximidade construída com a Academia de Letras dos Militares Estaduais da Paraíba.


Carlos Furtado e a ALMEP

A relação de Carlos Augusto Furtado Moreira com a ALMEP insere-se nesse movimento de integração acadêmica entre os militares estaduais brasileiros.

Como fundador e Presidente da AMCLAM e integrante da ALMEBRAS, participou da construção de vínculos institucionais que aproximaram Academias de diferentes regiões do País e favoreceram o intercâmbio de experiências, publicações, projetos e iniciativas culturais.

Para a Academia de Letras dos Militares Estaduais da Paraíba, sua presença possui significado especial por representar não apenas uma relação entre instituições, mas uma concepção compartilhada sobre a importância de preservar e difundir a produção intelectual dos militares estaduais.

Sua condição de Membro de Honra traduz, assim, o reconhecimento a uma trajetória que se identifica com princípios igualmente presentes na ALMEP, a valorização da memória, a produção de conhecimento, o fortalecimento das relações acadêmicas e a construção de espaços permanentes para as letras e a cultura militar.


Membro de Honra da ALMEP

Ao reconhecer Carlos Augusto Furtado Moreira como Membro de Honra, a Academia de Letras dos Militares Estaduais da Paraíba distingue uma trajetória na qual carreira militar, educação, direitos humanos, história, literatura, música, pesquisa e liderança acadêmica se encontram.

Sua contribuição não está apenas nas funções que exerceu ou nas obras que publicou. Está também em sua capacidade de transformar uma aspiração cultivada durante décadas em uma instituição destinada a permanecer para além de seu próprio tempo.

A criação da Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares talvez represente a síntese mais expressiva desse legado. Ao concebê-la, ajudou a construir um espaço no qual a experiência dos militares estaduais pode converter-se em ciência, literatura, arte, história e memória.

No âmbito nacional, sua atuação acadêmica contribuiu para fortalecer os vínculos entre instituições congêneres e para ampliar o diálogo cultural entre militares escritores, pesquisadores, artistas e estudiosos de diferentes regiões brasileiras.

Reconhecer a trajetória de Carlos Augusto Furtado Moreira é reconhecer o militar, o educador e o homem de cultura que transformou experiência em conhecimento, memória em patrimônio e um antigo sonho em uma instituição acadêmica dedicada às Ciências, às Letras e às Artes.
 

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