
Academia de Letras dos Militares Estaduais da Paraíba

Trajetória
Natural de Florianópolis, Santa Catarina, Roberto Rodrigues de Menezes nasceu em 7 de novembro de 1949. Coronel Veterano da Polícia Militar de Santa Catarina, construiu uma trajetória marcada pela convergência entre a vida militar, a educação, a literatura, a pesquisa histórica e a preservação da memória.
Ao longo de sua carreira, exerceu funções de comando, direção, ensino e assessoramento, ao mesmo tempo em que desenvolveu uma intensa atividade intelectual. Essa combinação entre experiência profissional e vocação para as letras acompanharia toda a sua trajetória e, posteriormente, alcançaria dimensão nacional por meio de sua participação na criação de instituições acadêmicas destinadas aos policiais e bombeiros militares brasileiros.
Ingressou na Escola de Formação de Oficiais da Polícia Militar de Santa Catarina em 1967, concluindo sua formação em 1971. Posteriormente, realizou o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais, em 1982, e o Curso Superior de Polícia, em 1988, no qual conquistou a primeira colocação. Também concluiu o Curso de Comunicação Social do Exército Brasileiro, no Centro de Estudos de Pessoal, no Rio de Janeiro, em 1986.
Na área civil, graduou-se em Pedagogia pela Faculdade de Educação da Universidade do Estado de Santa Catarina, UDESC, com especialização em Administração Escolar, em 1992.
Carreira policial-militar e vocação para o ensino
Na Polícia Militar de Santa Catarina, Roberto Rodrigues de Menezes exerceu funções que revelam uma carreira particularmente ligada à formação profissional e à educação.
Como Segundo-Tenente, integrou a Casa Militar do Palácio do Governo de Santa Catarina, entre 1975 e 1979, atuando nas áreas de segurança e cerimonial. Como Capitão, comandou a Companhia da sede do 2º Batalhão, em Chapecó, e a Companhia Isolada de São Miguel do Oeste.
Como Oficial Superior, foi Comandante da Escola de Sargentos, Diretor do Colégio Militar Feliciano Nunes Pires, Coordenador do Centro de Estudos Superiores da Polícia Militar, Diretor Interino de Ensino e Instrução, Comandante Interino do Centro de Ensino e Comandante da Academia de Polícia Militar da Trindade.
Exerceu ainda a Chefia da Casa Militar do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina, entre 1994 e 1996. Em 1997, desempenhou sua última função antes da passagem para a Reserva Remunerada, como Corregedor-Geral da Polícia Militar de Santa Catarina.
A educação esteve presente não apenas nas funções administrativas que exerceu, mas também na sala de aula. Foi professor de Filosofia no Colégio Feliciano Nunes Pires e lecionou Comunicação, Teoria e Prática de Redação, Relações Públicas e Deontologia em estabelecimentos de formação da Polícia Militar catarinense.
Essa experiência ajuda a compreender uma característica que posteriormente se tornaria ainda mais evidente em sua trajetória, a disposição para transformar conhecimento, memória e experiência profissional em produção intelectual e ação cultural.
Vida acadêmica e cultural
A passagem para a reserva não representou o encerramento de sua atuação institucional. Ao contrário, sua trajetória ganhou crescente presença nos ambientes literário, histórico e acadêmico.
Roberto Rodrigues de Menezes ocupa a Cadeira 17 da Academia Catarinense de Letras. É Membro Emérito e Orador do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina e ocupa a Cadeira 9 da Academia Desterrense de Literatura.
Integra também, como membro correspondente, a Academia de Letras dos Militares Estaduais do Paraná, ALMEPAR, além de participar do Grupo de Poetas Livres.
Sua presença em diferentes instituições expressa uma trajetória intelectual construída no encontro entre literatura, história, memória, educação e cultura, áreas que também se refletem na diversidade de sua produção bibliográfica.
O idealizador de um movimento acadêmico
Entre as contribuições mais significativas de Roberto Rodrigues de Menezes encontra-se sua participação na organização do movimento acadêmico dos militares estaduais brasileiros.
Foi fundador e primeiro Presidente da Academia de Letras dos Militares Estaduais de Santa Catarina, ALMESC, instituição na qual ocupa a Cadeira 02.
A experiência desenvolvida em Santa Catarina ampliou-se para um projeto de dimensão nacional. Roberto idealizou uma instituição capaz de congregar policiais e bombeiros militares de diferentes unidades da Federação em torno da literatura, da história, da cultura, da produção intelectual e da preservação da memória das corporações militares estaduais.
Desse movimento nasceu a Academia de Letras dos Militares Estaduais do Brasil e do Distrito Federal, ALMEBRAS, da qual Roberto Rodrigues de Menezes foi idealizador, fundador e primeiro Presidente, ocupando a Cadeira 01.
A criação da ALMEBRAS representou um importante passo na aproximação entre militares estaduais dedicados às letras e à produção do conhecimento, estabelecendo vínculos entre diferentes Estados e favorecendo a expansão do movimento acadêmico militar pelo País.
Mais do que participar de Academias, Roberto Rodrigues de Menezes dedicou-se, portanto, a criá-las e a construir espaços para que outros militares escritores, pesquisadores e estudiosos também pudessem se encontrar, produzir e preservar memória.
Produção literária e intelectual
A literatura constitui uma das dimensões mais expressivas de sua trajetória.
Sua produção percorre diferentes gêneros e campos de interesse, compreendendo poesia, conto, narrativa, biografia, ensaio, genealogia, pesquisa histórica, memória militar, estudos literários e historiografia poética.
Em 1999, publicou A profana comédia, reunindo contos e versos. Seguiram-se obras como Vem e segue-me, biografia oficial do Monsenhor Francisco de Sales Bianchini, Ao correr da vida e Rememórias.
A memória das instituições militares estaduais ganhou expressão própria em Memória Militar Estadual, publicada em 2012 e dedicada a fatos históricos da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina.
Na poesia, destaca-se a construção da Trilogia Poética de Cores Azul, Púrpura e Verde, formada por Castelo Azul, Castelo Púrpura e Castelo Verde. A vertente poética prosseguiu posteriormente em títulos como Castelo D’Ouro, Castelo Eterno e Castelo Histórico.
História, genealogia e literatura clássica também atravessam sua produção, como demonstram Adamastor, Mitologia em verso, Dindinhas, Os Menezes, Polydoro Olavo de S. Thiago e O vice e a escrava.
Em 2023, voltou sua escrita para a memória do próprio movimento acadêmico que ajudou a construir, publicando Almebras, o início, obra dedicada às tratativas e à fundação da Academia de Letras dos Militares Estaduais do Brasil e do Distrito Federal.
Sua produção bibliográfica relacionada neste registro alcança 23 títulos, chegando a Perfis de mulheres, de 2025, e Castelo Histórico, de 2026.
Atuação editorial e difusão cultural
Sua contribuição às letras não se restringe à autoria de livros.
Roberto Rodrigues de Menezes participou de numerosas coletâneas e antologias literárias, no Brasil e em Portugal, além de atuar na organização de publicações vinculadas ao movimento acadêmico dos militares estaduais.
Foi organizador da primeira, segunda, terceira e quarta Antologias da Academia de Letras dos Militares Estaduais, publicadas entre 2013 e 2020. Também organizou o Livro dos Patronos I.
Sua atuação alcançou ainda os periódicos culturais. Foi redator e formatador de 17 edições da revista O Clarim, da ALMESC, de duas edições da revista Laço Húngaro, da ALMEBRAS, e da primeira revista da Academia Desterrense de Literatura.
Esse trabalho editorial revela outra dimensão de sua contribuição, não apenas produzir sua própria obra, mas colaborar para a circulação da produção intelectual de outros autores e para a construção de registros permanentes da atividade das instituições acadêmicas às quais se vinculou.
Reconhecimentos
Ao longo de sua trajetória, recebeu distinções relacionadas à carreira militar e à atividade cultural.
Entre elas encontram-se a Medalha Coronel Cantídio Quintino Régis, recebida pela primeira colocação no Curso Superior de Polícia, em 1988, o reconhecimento como Personalidade Acadêmica do Ano de 2014, a Medalha de Mérito alusiva aos 90 anos do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, em 2016, o Prêmio Ivo Silveira de Cultura, em 2018, a Medalha da Academia de Letras dos Militares Estaduais do Paraná e o Troféu Zilda Arns de Letras e Artes, ambos em 2019.
Roberto Menezes e a história da ALMEP
A presença de Roberto Rodrigues de Menezes na história da Academia de Letras dos Militares Estaduais da Paraíba antecede a própria criação formal da instituição.
Como fundador da ALMESC e idealizador, fundador e primeiro Presidente da ALMEBRAS, sua atuação esteve no centro do movimento de aproximação entre militares estaduais de diferentes regiões do País interessados na literatura, na história, na cultura, na pesquisa e na preservação da memória institucional.
Foi nesse ambiente de articulação que se estabeleceu a aproximação com presidentes de clubes e associações de oficiais militares estaduais, entre eles o Coronel Francisco de Assis Silva, na Paraíba.
A expansão daquele movimento acadêmico favoreceu a inserção de representantes paraibanos no projeto nacional e contribuiu para a formação de vínculos e experiências que, posteriormente, estariam relacionados ao surgimento da Academia de Letras dos Militares Estaduais da Paraíba.
Dessa forma, a relação de Roberto Rodrigues de Menezes com a ALMEP não decorre apenas de sua reconhecida produção literária. Seu nome está ligado a um movimento anterior à própria Academia paraibana, que ajudou a criar condições para aproximar militares escritores, pesquisadores e estudiosos de diferentes Estados e estimular a constituição de novas instituições acadêmicas.
Membro de Honra da ALMEP
Ao conferir a Roberto Rodrigues de Menezes a condição de Membro de Honra, a Academia de Letras dos Militares Estaduais da Paraíba reconhece uma trajetória que reúne o oficial militar, o educador, o escritor, o pesquisador, o memorialista e o dirigente acadêmico.
Sua contribuição singular encontra-se não somente na extensa obra que produziu, mas também nas instituições que ajudou a construir e nos espaços que criou para que a produção intelectual dos militares estaduais pudesse ser reunida, divulgada e preservada.
Na história da ALMEP, seu nome permanece especialmente associado às origens do movimento acadêmico que antecedeu a criação da Academia na Paraíba.
Reconhecer sua trajetória é, assim, preservar a memória de um dos protagonistas da construção e da expansão do movimento acadêmico dos militares estaduais brasileiros.