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Trajetória

Coronel Veterano da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, Ubirajara Anchieta Rodrigues construiu uma trajetória marcada pelo serviço militar, pela educação, pela literatura e pela participação ativa na vida cultural e acadêmica.

Natural de Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, ingressou ainda jovem na formação militar, seguindo para Porto Alegre, onde estudou na Academia da Brigada Militar. Declarado oficial em 1968, iniciou uma carreira que o conduziu por diferentes regiões e funções da Corporação, até alcançar o posto de Coronel.

Ao longo desse percurso, o exercício da profissão colocou-o em contato com diferentes realidades sociais e com lugares profundamente vinculados à formação histórica e cultural do Rio Grande do Sul. A experiência militar, entretanto, não se limitou à atividade profissional. Aos poucos, passou a dialogar com outra vocação que o acompanharia por toda a vida, a cultura e a palavra escrita.

 

O militar e a tradição gaúcha

Entre os lugares que marcaram sua trajetória, Piratini ocupa posição especial.

Antiga capital da República Rio-Grandense e um dos espaços históricos relacionados à Revolução Farroupilha, a cidade proporcionou ao jovem oficial uma aproximação ainda maior com as tradições e a identidade cultural de seu Estado.

Durante sua passagem pelo município, participou da organização de atividades relacionadas às celebrações tradicionalistas e às comemorações da Revolução Farroupilha, envolvendo-se com iniciativas voltadas à preservação da memória histórica e cultural.

Essa experiência contribuiu para consolidar uma característica que se tornaria permanente em sua vida. Para Ubirajara, história e tradição não deveriam permanecer apenas nos registros do passado. Poderiam ser preservadas e transmitidas também pela cultura, pela literatura e pela poesia.

 

A poesia e a cultura regional gaúcha

Entre as diferentes dimensões de sua trajetória cultural, a poesia ocupa lugar singular.

Na convivência entre a disciplina da vida castrense e a sensibilidade literária formou-se uma das características que melhor o identificam, o poeta militar.

Sua atuação nas letras, contudo, ultrapassou a produção individual. Foi fundador e primeiro Presidente da Casa do Poeta de Santa Maria, participando diretamente da criação de um espaço destinado à convivência, à produção literária e à valorização dos escritores.

Também manteve estreita ligação com a cultura regional gaúcha por meio da Estância da Poesia Crioula, instituição dedicada aos poetas e escritores da temática regional, que presidiu por duas gestões. Sua atuação nesse ambiente ampliou o vínculo entre produção literária, tradição e identidade cultural.

A expressão artística encontrou ainda outro caminho em sua trajetória, a música.

Como compositor de letras, participou de diversos festivais, alcançando classificações entre os finalistas e obtendo premiações. Seus poemas de temática regional também estiveram presentes nesses espaços e receberam reconhecimento.

Poeta, escritor e compositor, Ubirajara encontrou na palavra diferentes possibilidades de expressão. No verso e na música, registrou sentimentos, experiências, valores e elementos da identidade regional, fazendo da criação literária também uma forma de preservação cultural.

 

Das letras gaúchas à vida acadêmica

A atuação literária e cultural conduziu Ubirajara naturalmente ao ambiente acadêmico.

Na Academia Brigadiana de Letras, ABRIL, passou a compartilhar a vida acadêmica com militares escritores dedicados à literatura, à história e à preservação do patrimônio intelectual relacionado à Brigada Militar e à sociedade gaúcha.

Essa experiência integrava um movimento que começava a aproximar militares escritores de diferentes regiões brasileiras. O que se desenvolvia inicialmente no âmbito dos Estados ganharia, posteriormente, dimensão nacional.

Ubirajara estaria entre os protagonistas desse processo.

 

A construção da ALMEBRAS

A criação da Academia de Letras dos Militares Estaduais do Brasil e do Distrito Federal, ALMEBRAS, representou um passo decisivo para a integração do movimento acadêmico dos policiais e bombeiros militares brasileiros.

Ubirajara participou desse processo desde a origem.

Como Acadêmico Fundador, tornou-se ocupante da Cadeira nº 02 e integrou a primeira estrutura diretiva da instituição como Vice-Presidente, ao lado do Coronel Roberto Rodrigues de Menezes, fundador, ocupante da Cadeira nº 01 e primeiro Presidente da Academia.

Sua presença nesse momento possui particular importância. Ubirajara não ingressou em uma instituição já consolidada, participou de sua construção.

A ALMEBRAS nascia com o propósito de aproximar Academias, escritores, pesquisadores e intelectuais militares de diferentes Estados, criando um ambiente nacional de intercâmbio cultural, produção intelectual e preservação da memória dos militares estaduais.

 

Da fundação à Presidência

A participação iniciada na fundação da ALMEBRAS alcançaria, anos depois, uma nova dimensão.

O Acadêmico Fundador e primeiro Vice-Presidente assumiu a Presidência da ALMEBRAS na gestão 2022 a 2024.

Há nesse percurso uma significativa coerência histórica. Ubirajara ajudou a criar a Academia, participou de sua primeira administração e, posteriormente, recebeu de seus pares a responsabilidade de conduzi-la.

Na Presidência, passou a representar institucionalmente um movimento voltado à aproximação das Academias dos militares estaduais existentes no País, fortalecendo vínculos, intercâmbios e iniciativas de cooperação.

Foi durante esse período que sua trajetória se aproximou ainda mais da Academia de Letras dos Militares Estaduais da Paraíba.

 

O encontro com a ALMEP

Em 18 de novembro de 2022, quando exercia a Presidência da ALMEBRAS, o Coronel Ubirajara Anchieta Rodrigues tomou posse como Membro de Honra da Academia de Letras dos Militares Estaduais da Paraíba.

A homenagem reunia diferentes dimensões de sua trajetória. A ALMEP reconhecia o Coronel Veterano da Brigada Militar, o educador, o poeta e o escritor. Reconhecia igualmente o Acadêmico Fundador que participara da construção da ALMEBRAS e que, naquele momento, ocupava sua Presidência.

Por essa razão, a distinção adquiriu também significado institucional.

Sua posse representou um gesto de aproximação entre a ALMEP e a ALMEBRAS e reafirmou um princípio que acompanhava sua própria trajetória acadêmica, a união das Academias como instrumento de fortalecimento da cultura e da produção intelectual dos militares estaduais brasileiros.

 

Um construtor de pontes entre Academias

Há uma expressão que sintetiza de maneira especial a participação de Ubirajara no movimento acadêmico dos militares estaduais, construtor de pontes.

Sua trajetória avançou progressivamente da cultura regional para a vida acadêmica e, desta, para uma atuação de alcance nacional.

Como fundador e dirigente da ALMEBRAS, colaborou para aproximar instituições geograficamente distantes, mas unidas pelo interesse comum na literatura, na história, na pesquisa e na preservação do patrimônio cultural dos militares estaduais.

Nesse percurso, a literatura deixou de representar apenas expressão individual. Tornou-se também instrumento de encontro, diálogo e fraternidade acadêmica.

 

Entre a farda e a poesia

A trajetória do Coronel Ubirajara Anchieta Rodrigues demonstra que a experiência militar e a sensibilidade literária podem integrar uma mesma construção de vida.

A carreira militar representou serviço, disciplina e compromisso institucional. A tradição gaúcha fortaleceu sua ligação com a história e com as raízes culturais de seu Estado. A poesia e a composição permitiram transformar vivências em expressão artística. As Academias ampliaram esse horizonte, proporcionando-lhe espaços de convivência intelectual e de construção coletiva.

Essas dimensões não constituem histórias paralelas. Elas se encontram em um mesmo propósito, preservar experiências, compartilhar conhecimento e transmitir às novas gerações aquilo que merece permanecer.

 

Membro de Honra da ALMEP

Ao conceder ao Coronel Ubirajara Anchieta Rodrigues o título de Membro de Honra, a Academia de Letras dos Militares Estaduais da Paraíba reconheceu uma trajetória que ultrapassa os limites da carreira profissional.

Sua posse, em 18 de novembro de 2022, registrou também a aproximação da Academia paraibana com o movimento acadêmico nacional do qual Ubirajara foi um dos construtores, como fundador da ALMEBRAS, ocupante da Cadeira nº 02, primeiro Vice-Presidente e, naquele momento, Presidente da instituição.

Sua presença entre os Membros de Honra da ALMEP representa, assim, o reconhecimento ao militar que serviu à sua Corporação, ao poeta que fez da palavra instrumento de expressão, ao compositor ligado às raízes culturais de seu Estado, ao dirigente que ajudou a criar espaços para as letras e ao acadêmico que trabalhou pela aproximação entre instituições.

 

Reconhecer Ubirajara Anchieta Rodrigues é reconhecer uma trajetória na qual a farda, a poesia, a cultura e a vida acadêmica convergiram para um mesmo legado, preservar a memória, valorizar as letras e construir pontes entre pessoas e instituições.

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