Aristarcho: o nome que incendiou o tempo
- ALMEP Paraíba'
- 4 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
Homenagem aos 146 anos de nascimento de Aristarcho Pessoa Cavalcanti de Albuquerque
4 de agosto de 1879 – 4 de agosto de 2025

Dizem que alguns homens nascem para o combate. Outros, para o comando. Aristarcho Pessoa… nasceu para servir.
Umbuzeiro ainda era um ponto no mapa quando, em 4 de agosto de 1879, chegou ao mundo o menino Aristarcho. É verdade que nasceu entre irmãos que fariam história, mas fez questão de não apenas acompanhá-los. Preferiu deixar a sua própria marca.
Não foi com estardalhaço, nem com palanque.
Foi com gestos — esses que o tempo não apaga.
Seguiu o caminho da farda com altivez. Enfileirou-se entre os que marcham, sim, mas também entre os que refletem antes de ordenar, e agem sem esperar aplausos. Formado na Escola Militar do Realengo, combateu com bravura na Guerra do Contestado, presenciou a Revolta dos 18 do Forte e foi peça importante na Revolução de 1930. Em Minas Gerais, sua liderança foi decisiva para a rendição do último reduto legalista.
Mas sua grandeza não se encerra no campo de batalha.
Seu gesto mais nobre talvez tenha vindo anos depois, quando estava no comando do Corpo de Bombeiros do então Distrito Federal. A Paraíba, sua terra, sua origem, clamava por socorro. O Corpo de Bombeiros local havia sido extinto.
E o que fez Aristarcho? Esperou uma ordem? Cobrou reconhecimento?
Não. Ele estendeu a mão.
Em 1931, doou fardas, equipamentos, viaturas. Deu vida ao que estava silenciado.
Devolveu à Paraíba seus bombeiros.
E fez isso em silêncio, como quem apenas cumpre um dever antigo. Não por vaidade, mas por pertencimento.
Porque há gestos que não precisam ser ditos. Precisam apenas ser lembrados.
Décadas depois, já sob a caneta do governador Tarcísio Burity, seu nome foi gravado em decreto. Aristarcho Pessoa tornou-se oficialmente Patrono do Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba. Não apenas por ter sido um comandante exemplar, mas por ter sido, sobretudo, um homem de alma generosa — daqueles que enxergam o serviço público como um sacerdócio civil.
Hoje, ao se completarem 146 anos de seu nascimento, Aristarcho não repousa apenas na memória da caserna ou nos arquivos da história. Ele vive onde há fogo e coragem, onde há sirene e socorro, onde há disciplina e compaixão.
Seu nome segue queimando – não como cinza, mas como brasa.
Brasa que acende os corações de quem sabe que servir é uma das mais altas formas de amor.
Porque há vidas que se apagam.
Mas há outras, como a de Aristarcho, que iluminam gerações.
Homenagem da Academia de Letras dos Militares Estaduais da Paraíba (ALMEP) ao Coronel do Exército Brasileiro Aristarcho Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, Patrono da Cadeira nº 03, honrosamente ocupada pelo Acadêmico Coronel Veterano do Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba, Ricardo Rodrigues da Costa.



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