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De Cabaceiras a Brasília: a revolução silenciosa de um paraibano

Homenagem aos 140 anos do nascimento do Marechal José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque


“Servir é um ato de fé — e só quem acredita no futuro tem coragem de semear disciplina e visão em cada gesto de hoje.”

Ardnildo Morais dos Santos 1

Walber Rufino 2




Hoje celebramos os 140 anos do nascimento de José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque — uma data que nos convida não apenas à memória, mas ao reconhecimento de sua estatura, de seu legado, de sua inspiração. Como Patrono da Cadeira 12 da ALMEP, sua vida nos fala de honra, de coerência, de serviço, de esperança no Brasil que se fez — e no Brasil que pode vir a ser.


José Pessoa nasceu em Cabaceiras, Paraíba, em 12 de setembro de 1885, em família profundamente marcada pelo compromisso público — sobrinho de Epitácio Pessoa, irmão de João Pessoa —, mas também marcada pela convicção de que o militar tem missão própria, distinta da política partidária.


Desde os primeiros passos de sua carreira, demonstrou rigor, compromisso com a disciplina e a formação. Assentou praça em 1903, foi para Realengo, para a Escola de Guerra em Porto Alegre, tornou-se aspirante-a-oficial. Sua atuação no serviço militar refletiu sempre uma busca pela excelência: da Brigada Policial do Distrito Federal à concepção de uma escola militar moderna, passando por sua experiência decisiva na Primeira Guerra Mundial, na França, quando liderou pelotão e comandou esquadrão.

José Pessoa também foi visionário: ao retornar da Europa, trouxe para o Brasil ideias que impulsionariam a modernização militar, como o uso dos tanques de guerra, não como mera curiosidade tecnológica, mas como instrumento transformador.


Sua firme posição de que os militares devem abster-se do jogo político partidário, não pela fuga do destino público, mas pelo respeito à disciplina, pela clareza de papel, marcou sua conduta, e o fez figura de resistência frente aos autoritarismos, à interferência indevida.


Como diretor da Escola Militar do Realengo, foi responsável por profundas reformas na educação de oficiais, pela incitação de símbolos, rituais, espírito de corpo, elementos que hoje associamos ao ethos da Academia Militar das Agulhas Negras. Sua marca institucional é visível no brasão, no uniforme, no espadim, na maneira de entender o militar como servo da Nação.


E, por fim, sua participação na escolha do local da nova Capital Federal, na Comissão de Localização que decidiu pelo “sítio castanho”, que viria a ser Brasília — revela sua crença numa Nação grande, pujante, capaz de projetar no espaço físico os ideais de unidade, de administração política, de civilização.


José Pessoa não é apenas Patrono de cadeira; é exemplo de integridade — de militar que não transige com a disciplina, mas que também não nega o Brasil à sua imaginação. Ele nos ensina:

  • que o serviço público exige sacrifício, paciência, crença no futuro;

  • que a formação é mais que técnica: é moral, é simbólica, é cultural;

  • que, apesar dos tempos difíceis, permanecer fiel aos valores, legalismo, decoro, responsabilidade, é possível;

  • que a Pátria se constrói com planejamento, com coragem, com visão.


Nesta celebração dos 140 anos de seu nascimento, renovamos nosso compromisso: de honrar a memória de José Pessoa não apenas em palavras, mas em ações. Na Cadeira 12, em cada gesto de estudo, de ensino, de serviço, queremos que seu ideal continue vivo. Que ele não seja lembrado como peça de museu, mas como farol que ilumina nosso presente e orienta nosso futuro.

 

____________________________

1 - Ardnildo Morais dos Santos. Coronel Ref. PMPB. Acadêmico Fundador da ALMEP, Cadeira 12.

2 - Walber Rufino – Coronel QORR CBMPB, Acadêmico Fundador da ALMEP (Cadeira nº 01) e atual Presidente da Academia de Letras dos Militares Estaduais da Paraíba.

 
 
 

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